“Meu compromisso é
com a verdade,
não com a coerência.”
Gandhi
Desde o início da civilização, há
cerca de 4 mil anos antes de Cristo, uma parte do planeta iniciou um processo
político/social chamado de civilização, que gradativamente destruiu os sistemas
tribais e que nunca foi justo. Infelizmente eu sinto que é assim que a
civilização funciona. Desigualdade, injustiças, dor, pobreza etc.
Não
importa para onde você olhe. Não há justiça, mais é nesse mundo que você vive
hoje.
Alguns
mentores espirituais orientais me disseram: “Muitas injustiças que ocorrem são
escolhas pessoais das pessoas envolvidas. Elas vibram ódio, ciúme, preocupação,
medo, dor, enfim tudo o que não é bom, e acabam atraindo isso de volta para
elas e para o planeta”.
Não
importa se você sente isso como real ou não, mas neste mundo em que vivemos
essa pode ser uma escolha nossa — ser ou não feliz aqui. Essa é a realidade.
Doa a quem doer, feliz ou não, “só nos resta viver” e evitar ser ou se fazer de
vítima dessa realidade.
Todos falam em justiça, bilhões de dólares são movimentados com advogados,
juízes, prisões, leis estúpidas, e a “mãe cultura” sempre promete justiça,
políticos em todos os discursos falam de justiça social, o povo exige justiça.
Mas onde ela está?
Muitos
têm teorias sobre a causa das injustiças, e você também deve tê-las, mas são
apenas teorias.
Você
não nasceu em Júpiter ou em Saturno. Nem num paraíso místico onde tudo é justo
e perfeito. Se quiser, pode até ficar sentado esperando a morte para ir ao éden
e lá ser feliz. E se isso for ilusão e você reencarnar novamente aqui?
Fugir
do mundo, ir para o alto da montanha também nem sempre é uma opção.
O
escritor Daniel Quiin no livro além da civilização ensina:
“Quando
as pessoas dizem que os meus livros as inspiram a ir para algum lugar e fundar
uma comunidade, eu lhes desejo toda a sorte do mundo.
Na
realidade conheço muita gente feliz com o mundo da forma como ele é. Agir com
compaixão e cooperação, fazer algo para que haja justiça é ótimo. Agora, crer
que você é infeliz porque não há justiça constitui uma atitude egoísta.
Medite:
Quer sofrer? Fique repetindo o
tempo todo:
·
“Isso não é justo”;
·
“Viver num mundo assim não dá”;
·
“Como alguém pode ser feliz com tanta gente sofrendo?”;
·
“Você não tem direito de fazer isso ou aquilo comigo”.
Qual a utilidade de pensar nisso? Por que dar poder
a essas vibrações? Quanto mais reclama que o mundo é injusto, mais você sofre e
atrai sofrimento para o planeta.
Insisto:
quer fazer algo? Tome uma atitude, arregace as mangas e não venha com a
desculpa de que como ninguém faz nada você também não fará. Assuma se vai fazer
algo ou só ficar reclamando por toda a vida.
Outra
maneira de sofrer com injustiças e não fazer nada é pensar o tempo todo:
·
“Deus/Deusa deveria...”
· “Os
outros deveriam...”
· “Eu
deveria...”
· “A
justiça deveria...”
Ilusões...
Ilusões... Ilusões...
O
exigente de justiça se pergunta: “Como você pode ter tanto e eu tão pouco?
Isso
muitas vezes nem é questão de justiça, e sim de ciúme e inveja, comparar-se com
o outro que tem o que você desejaria para si.
Não fique apenas na acomodação de “eu gostaria de
poder fazer algo” ou “eu pretendo um dia melhorar o mundo”. Isso é ser
pretensioso. Quem se queixa do mundo e nada faz está totalmente iludido, não
assumindo responsabilidades simples, internas ou externas.
Certa
vez uma amiga me ligou queixando-se de tudo o que era possível, falou mais de
30 minutos. Eu lhe disse: “Pare com essas queixas e cuide da sua vida. O mundo
é tão perverso, mas você não consegue parar de fumar, iniciar uma dieta ou
encontrar um relacionamento feliz”.
Pessoas
queixosas, que dizem que nada dá certo, atraem isso. São pessoas estáticas,
infelizes, cheias de energias negativas, pesadas, que até vampirizam ambientes
ou pessoas.
Se
quer distanciar-se de gente que acha tudo injusto, resmungonas, arrogantes,
discutidoras, críticas, vigaristas, charlatãs, fofoqueiras, gananciosas,
insistentes, falsas e insultadoras, aprenda em algumas situações a dizer ou a
pensar estas palavras mágicas quando:
·
alguém começa a reclamar de tudo na vida: “Eu não tenho nada com a sua opção de
sofrer”;
·
alguém diz que o planeta não é justo: “Sim, mas há pessoas felizes aqui. O que
você faz para ser feliz e trazer justiça ao planeta?”;
·
alguém diz que não gosta de você: “E eu com isso? Eu gosto de mim”;
·
alguém diz que há guerra na Ásia ou fome na África, ou há matanças de animais —
faça uma mentalização de luz, uma oração, Reiki, Johei, ou algo prático, mas,
se não desejar fazer nada, pense: “Não vou permitir que injustiças ou
situações-limite estraguem minha vida e meu contentamento”.
Você
deseja salvar realmente o planeta? Aqui vai uma dica valiosa: leia os
magníficos livros de Daniel Quinn: Meu Ismael, A história de B e Além da
civilização. São obras-primas do iluminado autor que inspirou o filme Instinto,
com Anthony Hopkins, lá você encontrará praticas, e não teorias expeculativas
de ações planetárias. Te desafio a ler esses textos e fazer algo. Aprenda
também a usar as palavras mágicas: “Não vou permitir que essas queixas de
injustiça tirem minha paz”.
Desligue
a TV! Não se apegue tanto a informações caóticas e violentas. Insisto, você
está onde se coloca. Se dá força para o bem, atrai o bem. Se dá força para o
mal, atrai o mal. Muitas das vezes em que escuta ou vê notícias sobre
injustiças, você atrai isso para sua vida.
A
maior parte dos noticiários mostra diariamente que:
· quem
deveria fazer justiça é incompetente; (é assim há milhares de anos).
· há
guerras no planeta; (sempre houveram)
· há
violência em sua cidade; (sim e em outras também)
· os
políticos “eleitos” (quem votou neles atraiu isso) só fazem bobagens; (sempre
foi assim ou não)?
· a
“justiça” do trabalho vai conseguir acabar com todos os empresários do país e
criar mais desempregos; (seja auto-suficiente na sua profissão)
· não
há justiça social, mas pode haver justiça na sua vida
E as emissoras de TV? Eles têm do
que reclamar? É claro que não, pois têm o que querem: a sua audiência.
Você
assiste a tudo isso e dá poder para as injustiças, atrai essas energias para
você e para o planeta, preocupa-se com tudo, não atua em nada, porque fica
colado na frente da tela e ainda gera lucro para os patrocinadores de
tragédias.
“Não tenho paciência para televisão. Eu não sou audiência para a solidão”. – Os
Tribalistas
Reflexão
Você é
reclamão ou fazedor?
O que é justiça para você?
Quanto tempo de sua valiosa vida é gasto com lixos na TV?
Os alimentos que você tem na geladeira de alguma
maneira destroem o planeta ou criam injustiças sociais, dor ou são
anti-ecológicos?
Koan
O que é inevitável na sua vida e no planeta?
Se viver nesse planeta é difícil, eu lhe pergunto: há um outro lugar para ir?
Injustiças e dinheiro
Certo dia minha filha Amanda
escutou na escola que “o homem estava extinguindo vários animais e destruindo o
planeta”.
Você
concorda com isso? O homem destrói o planeta Terra?
Aqui
vai uma boa notícia. Não é o homem que destrói a Terra, que extingue animais e
outras formas de vida. É o homem que compulsivo por ter cada vez mais. È um
tipo de homem, um homem descontente com tudo, que surgiu no planeta há alguns
poucos milhares de anos e tem uma característica materialista exagerada.
Um
bororó, pataxó, xavante, sioux, mehinako, tolteca, inca etc. não destruíram o
planeta.
A 2a.
guerra mundial e a guerra do Golfo não foram feitas pelos homens e sim por
alguns homens.
A
natureza está sempre se gerando e se renovando. Olhá-la e senti-la faz crescer
muito contentamento dentro de nós. Tudo o que nós observamos cresce. É como diz
o ditado: “O gado só engorda aos olhos do dono”.
O escritor Daniel Quinn ensina:
“O mundo não precisa de nós para salvá-lo, só precisa de nós para que o
deixemos em paz.”
Quando nos concentramos em
contentamento e alegria, é isso que obtemos. O contrário também é real: quando
nos concentramos no descontentamento e na tristeza, essas energias também
crescem.
Apreciar a natureza traz contentamento e isso é um ímã para a felicidade.
Apreciar só o dinheiro pode gerar desequilíbrios.
O
planeta Terra está sendo agredido nos últimos 500 anos de maneira radical.
Essas agressões em sua maioria têm por finalidade que uma minoria ganhe muito
mais dinheiro, tenha maiores propriedades, carros luxuosos, roupas de grife
etc.
É a
dimensão do ter em prol da dimensão do ser.
O
mestre Osho ensinava que o dinheiro foi feito para comprarmos alguns
“brinquedinhos”. Quando compramos algo de alguém, estamos ajudando essa pessoa
ou o comércio a circular.
O
dinheiro em si não é bom nem mal, nem sujo nem limpo. A questão é o modo como
muitos usam o dinheiro: de forma absolutamente gananciosa, mesquinha.
E
esquecendo que ele pode lhe dar uma felicidade pouco duradoura ou você acha que
mais canais de televisão, cassinos, jogos, prostituição, acesso rápido à
internet, loterias, telas de cinema, restaurantes, carros novos, etc. vão te
deixar feliz por muito tempo? A maior parte das pessoas que conheci que tem
tudo isso de sobra, nunca me pareceram relaxados, ao contrário, são os que mais
precisam de remédios, calmantes, anti-depressivos, análises e paz de espírito.
Passagem
No século passado, um turista dos Estados Unidos
foi visitar o famoso rabino polonês Hafez Hayyin. O turista ficou surpreso ao
ver que o rabino morava num quarto simples, cheio de livros, onde as únicas
peças de mobília eram uma mesa e um banco.
—
Rabi, onde estão seus móveis? — perguntou o turista.
— E
onde estão os seus? — retorquiu Hafez.
— Os
meus? Mas eu estou aqui só de passagem...
— Eu
também — disse o rabino.
Reflexão
O que você procura agora?
Koan
O que você pode comprar para sua essência?
A sua essência precisa adquirir alguma coisa?
Você é ou será?
Extraído do Livro: