domingo, 30 de agosto de 2026

DESFILES CÍVICOS: COMEMORAÇÃO OU SOBRECARGA PARA AS ESCOLAS?

 30 de agosto de 2026

Com a proximidade do dia 7 de Setembro, é comum vermos em todo o país a preparação para os tradicionais desfiles cívicos. Em Pentecoste, Ceará, não é diferente. Todos os anos, as escolas mobilizam professores, diretores, coordenadores e estudantes para preparar apresentações que envolvem temas, pelotões, cartazes, adereços, ensaios e diferentes caracterizações.

Durante semanas, professores e alunos se dedicam à preparação. É um trabalho que exige tempo, criatividade, organização e, principalmente, recursos financeiros. Afinal, existem gastos com materiais pedagógicos, cartazes, adereços e, em muitos casos, com roupas e vestimentas utilizadas pelos estudantes.

Antigamente, os desfiles eram mais simples. Os estudantes participavam, geralmente, com a própria farda escolar, e o objetivo principal era celebrar o 7 de Setembro. Com o passar dos anos, os desfiles foram ganhando temas e apresentações cada vez mais elaboradas. Naturalmente, cada escola quer apresentar algo bonito e representar bem sua comunidade.

Mas é justamente nesse ponto que precisamos fazer uma reflexão.

Será que os estudantes têm condições de alugar roupas, comprar adereços ou contribuir financeiramente para essas apresentações? E quando a família não tem condições, quem acaba assumindo esse custo?

Também precisamos olhar para a situação dos professores, coordenadores e diretores. Muitas vezes, para que a apresentação aconteça da maneira planejada, esses profissionais acabam utilizando recursos próprios ou buscando ajuda para comprar materiais e resolver necessidades que surgem durante a preparação.

Não se trata aqui de criticar o desfile cívico. Pelo contrário. É importante valorizar a cultura, a história e os símbolos nacionais. A questão é saber quem deve financiar e sustentar a realização dessas apresentações.

Outro aspecto que merece reflexão é a participação dos próprios estudantes. Percebe-se, em algumas situações, que já não existe a mesma empolgação de outros tempos. Há casos em que alunos são estimulados a participar mediante a concessão de pontos nas disciplinas. Se é necessário oferecer nota para garantir a participação, talvez também devêssemos perguntar por que a atividade deixou de despertar espontaneamente o interesse dos estudantes.

E existe ainda uma questão fundamental: até que ponto é justo que diretores, coordenadores e professores tirem dinheiro do próprio bolso para garantir que o desfile de suas escolas tenha uma apresentação mais bonita?

Se a Secretaria de Educação não dispõe de recursos suficientes para custear todos os gastos, é preciso discutir como essa responsabilidade deve ser organizada. Não parece razoável que o compromisso de realizar um evento público termine sendo transferido, direta ou indiretamente, para os profissionais da educação.

Por isso, mais do que uma crítica, fica uma reflexão para todos nós:

É correto exigir uma apresentação cada vez mais elaborada das escolas sem garantir os recursos necessários para sua realização?

É justo que professores, coordenadores e diretores tenham que colocar dinheiro do próprio bolso?

E os estudantes que não possuem condições financeiras para participar das caracterizações, como ficam?

Talvez seja o momento de repensarmos o formato dos desfiles cívicos, preservando seu significado histórico e cultural, mas garantindo que sua realização não represente uma sobrecarga financeira para as famílias e, principalmente, para os profissionais da educação.

Comemorar o 7 de Setembro deve ser motivo de orgulho e participação. Mas essa participação precisa acontecer de forma democrática, inclusiva e sem transferir responsabilidades financeiras para quem já dedica seu trabalho à educação pública.

Professor Valdeni Cruz

Nenhum comentário:

A IMPORTÂNCIA E A VALORIZAÇÃO DOS CONSELHEIROS NO ACOMPANHAMENTO DOS RECURSOS PÚBLICOS

  A partir das considerações da professora Carmem (Professora da rede Ensino municipal de Pentecoste), que hoje faz parte da comissão que an...