Os direitos dos servidores de Pentecoste não podem depender da boa vontade dos gestores!
A reclamação dos servidores públicos de Pentecoste pelos seus direitos é praticamente unânime. Nos bastidores, nos corredores dos locais de trabalho e nas conversas privadas com o SINDSEP e seus diretores, o que não falta são cobranças, questionamentos e demonstrações de insatisfação.Mas existe uma contradição que precisa ser discutida: enquanto muitos reclamam no privado, poucos têm a coragem de se expor publicamente e assumir a luta pela conquista dos próprios direitos.
A pergunta que chega ao Sindicato é quase sempre a mesma:
“E os nossos direitos? Não vão sair, não? Cadê o prefeito? Falou alguma coisa? Tem alguma notícia boa para nós?”
E tantas outras perguntas semelhantes.
O SINDSEP responde conforme a realidade dos fatos. O problema é que nem sempre a resposta é aquela que o servidor gostaria de ouvir.
O que muitos querem ouvir é que a Prefeitura finalmente vai conceder o reajuste, pagar os valores atrasados referentes às 20 horas, liberar o rateio dos precatórios do FUNDEF e implementar as referências previstas nos planos de cargos e carreiras.
É compreensível. Afinal, são direitos pelos quais os servidores esperam há muito tempo.
Entretanto, quando a resposta é que ainda não houve uma solução, que a Prefeitura não se manifestou positivamente ou que não existe nenhuma novidade concreta, a frustração aparece. Alguns ficam chateados, outros desanimam e há aqueles que passam a desacreditar da própria luta sindical.
Mas precisamos compreender uma coisa: o Sindicato não pode anunciar uma conquista que ainda não aconteceu, nem prometer aquilo que depende de decisões que não estão sob seu controle.
Nosso compromisso é com a verdade, com a transparência e com a defesa dos servidores.
POR QUE OS DIREITOS DEMORAM TANTO?
A história nos mostra que, na maioria das vezes, os gestores não concedem direitos aos servidores simplesmente porque acordaram de bom humor ou decidiram fazer justiça espontaneamente.
Quase sempre aparecem justificativas: falta de recursos, necessidade de estudos, impacto financeiro, dificuldades administrativas e promessas de que tudo será resolvido mais adiante.
E assim os meses passam. Os anos passam. E o servidor continua esperando, acumulando prejuízos e vendo seus direitos permanecerem sem a devida concretização.
Por isso, precisamos fazer uma reflexão séria: até quando vamos esperar que a iniciativa parta exclusivamente de quem tem a obrigação de garantir nossos direitos?
QUANDO CHEGA A HORA DE LUTAR, A HISTÓRIA MUDA!
Existe um momento em que a cobrança precisa deixar de ser apenas uma conversa privada e se transformar em mobilização coletiva.
É justamente aí que a situação muda.
Quando o Sindicato convoca os servidores para participar de uma assembleia, de uma mobilização ou de uma ação concreta em defesa da categoria, começam a aparecer as mais variadas respostas.
Uns dizem imediatamente:
“Eu estou dentro! Pode contar comigo!”
Outros perguntam:
“Mas o que é que nós vamos fazer?”
Há também aqueles que dizem:
“Eu não vou. Isso não vai dar em nada!”
E existem ainda os que nunca aparecem, nunca participam e nunca se colocam à disposição, embora estejam sempre cobrando resultados.
É nesse momento que precisamos reconhecer uma verdade: reclamar é importante, mas a reclamação, sozinha, não conquista direitos.
Não basta cobrar do Sindicato nos bastidores. Não basta perguntar todos os dias se o prefeito deu alguma resposta. Não basta demonstrar indignação nas conversas privadas e desaparecer quando chega a hora de participar.
A força de um sindicato não está apenas na atuação de seus dirigentes, mas também na disposição de sua categoria para lutar coletivamente.
DIREITOS NÃO SE CONQUISTAM À BASE DE MILAGRES!
Às vezes, parece que estamos esperando um milagre.
Esperamos que, de repente, o coração do gestor seja tocado por uma graça divina e que ele decida, por iniciativa própria, conceder todos os direitos que os servidores reivindicam.
Ter fé é importante. Mas, na luta por direitos, também precisamos ter coragem, organização, consciência e disposição para agir.
Não podemos deixar que o medo de perder algumas horas de trabalho, a preocupação com o que os outros vão pensar ou o receio de desagradar a alguém sejam maiores do que a necessidade de defender aquilo que é nosso por direito.
É claro que cada servidor tem suas dificuldades, seus receios e suas circunstâncias pessoais. Mas também precisamos compreender que nenhuma categoria se fortalece quando cada um espera que o outro faça aquilo que todos precisam construir juntos.
O Sindicato tem responsabilidades, e precisa continuar cumprindo seu papel. Deve cobrar, negociar, fiscalizar, buscar os caminhos jurídicos possíveis e mobilizar a categoria.
Mas os servidores também precisam fazer a sua parte: participar das assembleias, acompanhar as decisões, fortalecer as mobilizações e demonstrar publicamente que não estão satisfeitos com a demora na efetivação de seus direitos.
Não se trata de transferir a responsabilidade do gestor para o servidor. A obrigação de cumprir a lei continua sendo de quem deve cumpri-la. Trata-se de compreender que a organização e a pressão coletiva podem ser decisivas para que os direitos saiam do papel e se tornem realidade.
AFINAL, ATÉ QUANDO VAMOS ESPERAR?
Até quando vamos continuar reclamando no privado e nos calando em público?
Até quando vamos esperar que alguém resolva tudo por nós?
Até quando vamos cobrar resultados sem nos dispor a participar do caminho que pode levar a eles?
Os direitos dos servidores de Pentecoste não podem depender de milagres, favores ou da boa vontade de quem administra o município. Direitos precisam ser respeitados e cumpridos.
O SINDSEP continuará fazendo a sua parte. Mas a categoria precisa refletir sobre o papel que deseja desempenhar nessa história.
Quem quer conquistas precisa compreender o valor da participação. Quem exige respeito precisa estar disposto a defender seus direitos. E quem deseja mudanças precisa ajudar a construir as condições para que elas aconteçam.
Não podemos exigir que todos enfrentem as mesmas dificuldades da mesma maneira, mas precisamos superar o comodismo e entender que a união só se transforma em força quando se manifesta em atitudes concretas.
Como diz o ditado popular:
“Temos aquilo que merecemos.”
Talvez essa frase seja dura, mas serve como um alerta: não podemos esperar resultados diferentes se continuarmos agindo sempre da mesma forma.
A pergunta, portanto, não é apenas quando o prefeito vai responder às reivindicações dos servidores.
A pergunta também é: quando nós, servidores, estaremos verdadeiramente dispostos a nos unir e lutar pelos nossos direitos?
A reflexão está feita. Agora, cada um precisa decidir de que lado quer estar: apenas no lado da reclamação ou também no lado da participação e da luta coletiva.

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