quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Imagine a cena futurista. Ano de 2101. A mãe observa alguns objetos na ala de antiguidades de algum museu brasileiro. O filho pequeno observa, curioso, uma torneira. Sim! Uma destas torneira que todos os dias abrimos de manhã, às 10h, ao meio-dia, 15h, 17h, 20h, e antes de dormir. Esta que esquecemos pingando. Aquela torneira generosa que jamais negou água à nossa geração. O menino não consegue entender a utilidade daquele objeto tão estranho. Pergunta para quê utilizavam aquilo “antigamente”. A mãe não sabe explicar direito, mas ouviu dizer que no “século passado” todas as casas tinham água encanada. O líquido mais precioso jorrava da terra e corria nos rios. A mãe explica que já faz alguns anos que a crise da água e o aquecimento da terra provocaram a morte de muitas civilizações. O menino fica sem entender e pergunta: - Mãe, nas pirâmides existiam torneiras?
Será que vamos esperam que esta cena se torne realidade, sem fazer absolutamente nada? Quantos bispos terão que fazer greve de fome para tomarmos consciência que os ataques contra a natureza, na verdade são crimes contra a civilização. Muitos tiranos foram condenados à morte por este motivo: crime humanitário. Este é o veredito que foi dado para a pena de morte de Saddam Husseim. E quem mata a terra por meio do aumento da emissão de gás carbônico na atmosfera… quem se nega a assinar protocolos ecológicos com o argumento de que o desenvolvimento não deixa??? Não é um crime contra a humanidade?
Os cientistas começam a fazer os cálculos fúnebres de quantos anos ainda temos de vida sobre nosso pequeno planeta azul. Alguns dizem que em cinco anos a pedra do fim estará rolando morro abaixo. Outros, mais pessimistas, afirmam que já estamos próximos do fim e que não existe mais remédio. Comemos a obra da Criação e não deixamos nada para os que vêm depois.
Não gosto de profecias de mau agouro. Normalmente são exageradas. Mas agora podemos sentir na pele. Não é apenas sensacionalismo de domingo a noite em algum programa de TV. Jamais a história viu um janeiro tão quente. E será cada vez mais. As calotas polares já começaram a derreter. O povo acostumado ao litoral começa a perceber o avanço das águas. Dizem que só quando a água chega na cintura é que aprendemos a nadar. Em pouco anos a água doce que faltará em nossas torneiras inundará nossas cidades ribeirinhas. Será que vamos esperar este momento para dizer: Ah, se tivéssemos ouvido os profetas. Agora não tem mais jeito.
Precisamos mudar o nosso paradigma de consumidores inveterados. Nossa civilização do consumo está esclerosada. Precisamos admitir que o “iluminado” projeto da modernidade não deu certo e está esclerosado. É preciso iniciar um novo tempo em que a simplicidade de vida e a generosidade com a terra, a água e o ar sejam ensinados na escola. Ecologia é uma exigência da santidade no terceiro milênio. Ou logo todos faremos parte de um novo MST, mas desta vez ricos e pobres estarão no mesmo acampamento, pois todos seremos igualmente vítimas do flagelo. Todos seremos “sem Terra”. São Francisco de Assis. Rogai por nós.

4 Responses to “Crime contra a civilização”

  1. Bom dia padre.
    Este é um grande problema sem dúvida, mas uma vez o ser humano usando o que não é dele sem a menor responsabilidade.
    Este planeta não nos pertence, é como uma casa que alugamos, ao devolvermos ao dono tem que estar do mesmo modo que estava ao alugarmos, será que estamos devolvendo o planeta do mesmo modo como o encontramos? Tenho certeza que não, o Terra em que nasci a 51 anos atrás já não é a mesma que deixo para meus filhos, e fico pensando se sobrará alguma coisa para meus netos. É preciso ensinar nossos filhos a terem uma atitude de preservação diante do mundo. Colhemos o que plantamos, não será diferente com a natureza, ela nos tratará com a mesma indiferença que a temos tratado. Deus nos conceda sabedoria para mudar.
  2. Padre Joãozinho,
    Saudações de Belo Horizonte!!
    Para ser bem honesta com o senhor, não gosto de alarmismo ambientalista. Professor Felipe Aquino, na seção “Ecologia” de seu Blog, postou textos sobre cientistas que defendem que o aquecimento da Terra não se deve essencialmente ao efeito estufa (consequência da nossa poluição):
    o que mais age sobre o clima na Terra são as intempéries na nossa estrela-mor, vulgo, SOL. Essa estrela é que “manda” no clima da Terra.
    Entretanto, isso não implica que podemos sair por aí consumindo e sujando o ar que respiramos e os rios onde os peixes e tantos outros animais vivem, certo?
    MAIS do que o lixo que gera e que degrada os nossos solos, o efeito MAIS NOCIVO do consumismo se dá na nossa maneira de ser e na nossa interação de uns com os outros.
    A lógica do “descartável” nos ilude de que basta “jogar as pessoas que incomodam fora (de nossa vida)” para nossos problemas se desfazerem. Padre Léo tem (tinha) ótimas reflexões sobre isso.
    Saúde e Paz ao senhor e a Todos os Seus Leitores!!
  3. Precisamos respeitar nosso planeta. - não deixem de ler - RT @padrejoaozinho: Crime contra a civilização http://bit.ly/cqO2yA
  4. Pe. Joãozinho,
    Hoje, o senhor postou vários textos p/ reflexão, tomada de consciência mas também chamando a todos p/ ” arregaçar as mangas”
    escreveu s/ Ecologia, educação dos filhos, tolerância, personalidade corporativa.
    Então me pareceu mais atual o resumo dos mandamentos “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo”
    Porque somente se fizer a escolha de Deus na minha vida, consigo
    enxergar o mundo ao meu redor, e posso olhar com outros olhos … isto é vou entender como utilizar os recursos naturais, vou aprender a viver em comunidade, na família e na sociedade!
    Para nos ajudar na caminhada, Deus suscita a cada tempo um seu Carisma de acordo com aquela época p/ a Humanidade. Foi assim no tempo de S. Francisco de Assis e contínua válido para hoje.
    Neste nosso tempo, Deus doou a Humanidade o carisma da Unidade, através de Chiara Lubich, ela sintetisou em 6 pontos a Arte de Amar:
    se a gente mirar estes aspectos, com certeza veremos mudança ao nosso redor como “aquela pedrinha” jogada num lago, que vai fazendo ondas até perder de vistas… Assim é c/ o Amor se colocarmos a viver.
    Eis os 6 pontos da Arte de Amar:
    Amar que significa estar a serviço. Esta arte tem 6 pontos fundamentais, segundo o Evangelho.
    1- Amar a todos. Não fazer nenhum tipo de distinção, que o nosso julgamento humano possa sugerir.
    2- Reconhecer a presença de Deus em todos.
    3- Amar como a si mesmo. Fazer aos outros o que gostaríamos que fosse feito a nós. Colocar-se no lugar do outro.
    4- Usar a tática do apóstolo Paulo: Fazer-se Um com todos. Chorar com quem chora e alegrar-se com quem se alegra.
    5- Amar por primeiro. Tomar sempre a iniciativa no amor. Não pretender nem esperar nada dos outros.
    6- Amar o inimigo. Esse é o ponto mais difícil, porém sem ele o nosso amor não é de natureza divina.
    …seria legal se depois vcs. contassem como estão vivendo esta “Arte de Amar” nos seus ambientes…se surpreenderiam como é verdadeira aquelas frase do evangelho” Eis que estou convosco até os fins dos tempos”. Ou onde 2 ou mais estão reunidos em meu nome, ai estarei no meio deles.
    Verão como Deus se faz presente, onde está um coração que ama!
    …esta experiência começou no dia 07/12/1943 com a consagração à Deus de Chiara Lubich, durante a segunda guerra mundial e esta vida se espalhou pelos 5 continentes.
    …agora, precisa se espalhar entre nós, ao colocar em prática as palavras de Jesus.
    p/ pesquisar s/ a Arte de Amar
    http://www.focolare.org
    http://dadodoamor.blogspot.com
    http://www.cidadenova.org.br/
Padre Joãozinho, scj on novembro 11th, 2010

Conheci um padre descendente de italianos. Fala com as mãos e praticamente grita quando expressa suas idéias. Tem os sentimentos à flor da pele. Quem o conhece bem sabe que é uma pessoa de grandes valores e rara sensibilidade. Jamais deixou de atender ao chamado dos doentes, pobres e aflitos. Mas alguns que o conhecem pouco se assustam com seu jeito italiano de ser. O normal é pensarmos que todos estes defeitos e qualidades são exclisvamente responsabilidade da pessoa. Não é verdade. Há algo em nós que faz parte do ambiente onde fomos criados. Isto parece óbvio. Mas normalmente esquecemos este detalhe no momento em que nos relacionamos com as pessoas.
Chego mais uma vez na Itália e percebo que neste país todos falam alto, gesticulam, brigam escandalosamente no trânsito, falam palavras duras sem o menor problema e esquecem muito rápido tudo isso. Lembro do meu amigo padre e penso que é necessário refletir sobre a “personalidade corporativa”.
Tive um colega de seminário que tinha suas características pessoais. Coisas da vida. Passaram-se anos antes que eu tivesse a oportunidade de conhecer seus pais e irmãos. Quando vi aquela gente… entendi o meu colega com o qual a esta altura havia convivido quase 15 anos. Expressões típicas de seu vocabulário, o jeito de olhar, o ritmo dos passos, alguns valores típicos, tudo era fruto da sua cultura familiar. É claro que ele tinha suas características pessoais. Mas comecei a identificá-las melhor depois que consegui identificar sua personalidade corporativa.
O namoro é um tempo para conhecer estas origens da pessoa amada. A personalidade corporativa está em nós e nem a percebemos. É preciso namorar também com a família, com a cultura, com a religião, com a pátria daquela pessoa. Conheci um casal que ignorou este fato. Ele catarinense. Ela do nordeste. Casaram em um lugar neutro. Os dois eram migrantes. Casal feliz. Filhos. Netos. Começam os problemas. A personalidade corporativa não diminue de intensidade. Ao contrário, aumenta sua expressão com a idade. Cada vez ele se tornava mais catarinense e ela mais nordestina. A tragédia da incompatibilidade de gênios estava às portas.
Atendi um casal recém-casado que estava prestes a se separar. Namoraram alguns anos. Mas quando casaram começaram a ter cnflitos por coisas banais. Por exemplo, ele não entendia o fato de ela fechar a porta do banheiro. Ela simplesmente ficava bloqueada se a porta estivesse aberta. Para ele isto era quase uma traição. Para ela era falta de educação. De onde vieram estas duas percepções tão opostas? Da família. Cultura familiar. Eles nunca namoraram a família.
Meu pai contava que certa vez, após o casamento a esposa resolveu fazer uma feijoada. Ao final do almoço perguntou ao marido se ele havia gostado. Ele respondeu: - “Muito bom, só não está como a da minha mãe”. Ela ficou com muita raiva e caprichou ainda mais na próxima. Repetiu a pergunta e ele repetiu a mesma resposta. Depois de alguns anos ela com muita raiva, acabou queimando a feijoada. Naquele dia ele se adiantou: - “Hoje sim. Está como a da minha mãe!” Personalidade corporativa. Não esqueça.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

AS TRÊS PENEIRAS
        Um rapaz procurou Sócrates e disse-lhe que precisava contar-lhe algo sobre alguém.

        Sócrates ergueu os olhos do livro que estava lendo e perguntou:

        - O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?

        - Três peneiras?  - indagou o rapaz.

        - Sim ! A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer me contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido falar, a coisa deve morrer aqui mesmo. Suponhamos que seja verdade. Deve, então, passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é uma coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo? Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar ainda pela terceira peneira: aNECESSIDADE. Convém contar?  Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta?
        Arremata Sócrates:
        - Se passou pelas três peneiras, conte !!! Tanto eu, como você e seu irmão iremos nos beneficiar.
Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e fomentar a discórdia entre irmãos, colegas do planeta.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SEGUNDA-FEIRA, 8 DE NOVEMBRO DE 2010

Ceará é o 3º em pobreza absoluta

 
De acordo com um estudo do Laboratório de Estudos da Pobreza (LEP) da Universidade Federal do Ceará (UFC), existem no estado do Ceará 908,9 mil cearenses sobrevivendo com R$ 63 por mês, dado que posiciona o Estado como terceiro lugar em casos de extrema pobreza, em termos absolutos. Bahia e Pernambuco são os dois primeiros colocados.

Já em termos proporcionais, o Ceará é o quarto no ranking de estados com pessoas em situação de extrema pobreza: 10,6% da população encontra-se nessa situação. No topo dessa lista, estão Alagoas (14,83%), Maranhão (13,9%) e Pernambuco (11%).

O Nordeste está acima da média nacional, sendo 10,67% da população extremamente pobre. No Brasil, são 5,25%.

Para erradicar a pobreza, são necessárias políticas públicas que fixem os emergentes às suas novas classes sociais, avalia o economista e professor da UFC, Alberto Teixeira. “A erradicação não se dá apenas através do âmbito econômico, além de que também depende da conjuntura internacional”, considera.

Os dados do laboratório têm por base pesquisas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Redação Luiz Vasconcelos
Com informações do jornal OPOVO

Bom caríssimos!. Toda quinta-feira, temos a alegria de em nossa cidade termos Adoração ao Santíssimo Sacramento exposto.  De 8 ...