Maiakovski: um libelo contra a inércia política



blogue-maiakovski-imagesHá certas reflexões que de tão profundas e irretocáveis, tornam-se universais a ponto de, a partir daí, serem apenas repetidas de forma diferente em diferentes contextos.  Vladimir Maiakovski, russo poeta e revolucionário,  foi o autor de uma dessas reflexões. O seu poema que transcrevo abaixo é uma jóia de sensibilidade e realismo, algo que cada um de nós, em nossos contextos sociais e/ou individuais, é levado a refletir sobre os silêncios e omissões nossas de cada dia. E depois dele, em cima dos seu rastro poético, algumas pessoas o parafrasearam em épocas diferentes. Leiam o poema e os parafraseamentos posteriores…
Fonte: anônima, enviado pelo nosso RV Osmail Costa Dias
Vladimir Maiakovski (…./1930):
Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo,       arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski…
Bertold Brecht (1898-1956):
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Martin Niemöller, 1933:
Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007:
Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

O que os outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.
Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio : porque a palavra, há muito se tornou inútil…
– até quando?…

Fonte: https://livrepensar.wordpress.com/tag/inercia-politica/

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