04 de janeiro de 2025
O novo se inicia e, com ele, a realidade que se impõe
Alguns estão à procura de um novo emprego, pois seus contratos anteriores se encerraram. Outros irão assumir postos de trabalho mais importantes; há também aqueles que serão realocados. Alguns conquistarão a vaga tão esperada por meio de concurso público, enquanto outros se aposentaram e não retornarão mais ao mercado de trabalho.
| Imagem criada com inteligência artificial |
Entre tantos acontecimentos relevantes previstos para 2026, como a Copa do Mundo, por exemplo, teremos também as eleições para os mais altos cargos do poder político: Presidente da República, Governadores, Senadores, Deputados Federais e Deputados Estaduais.
Milhares de pessoas estão se colocando à disposição da sociedade como pré-candidatos. Algumas já são figuras conhecidas, que passam a vida inteira na política, sugando os recursos e a energia da população. Outras estão “com o pé quase lá”, apenas esperando o momento certo para avançar.
Para a realização de uma eleição no Brasil, são necessários bilhões de reais para custear as campanhas eleitorais, tornando o nosso processo eleitoral um dos mais caros do mundo. Esses recursos são distribuídos entre os partidos e variam conforme o tamanho da legenda e de sua bancada, alcançando valores altíssimos.
Os caciques e os velhos “macacos” da política nós já conhecemos muito bem. Os discursos se repetem: prometem transformar o Brasil, os estados e os municípios em verdadeiros paraísos. No entanto, quando assumem o poder, a grande maioria passa a defender os próprios interesses, em detrimento do bem comum. Defendem o poder econômico com unhas e dentes, pois, em sua maioria, esses representantes são empresários, agropecuaristas e, em alguns casos, até figuras ligadas ao crime organizado vêm adentrando a política.
Entre os mais jovens que se aventuram na vida política, muitos são herdeiros do patrimônio político dos pais. Outros enxergam a política como um caminho de interesses escusos, ao perceberem nela uma oportunidade de lucrar, desviando recursos que deveriam ser destinados à população na forma de políticas públicas.
Existem ainda os políticos do campo ideológico, que acreditam no bem comum, nas ideias e se envolvem nesse espaço movidos por sonhos, esperanças e motivações legítimas. Há também os chamados influenciadores digitais, que adquiriram visibilidade, muitas vezes sem qualquer noção do que seja a política em sua essência — governar para a população — e que, em diversos casos, acabam sendo eleitos apenas para provocar danos ao país.
Essa é a nossa realidade: marcada por uma mistura de representações que, no fundo, não têm demonstrado capacidade de transformar o Brasil em uma nação com altos patamares de prosperidade e progresso. Vivemos sempre à espera de que algo aconteça para que o progresso finalmente chegue.
Quando olhamos com mais atenção para os nossos representantes, somos tomados por sentimentos de vergonha e decepção. São pessoas egocêntricas, vaidosas e que, em sua grande maioria, não demonstram preocupação real com os verdadeiros problemas do país.
Vivemos uma polarização excessiva entre direitistas e esquerdistas, uma disputa estéril que parece não ter fim. Enquanto isso, ficam de fora as discussões sérias sobre projetos de futuro para o Brasil. Temas fundamentais como educação, saúde, saneamento básico, infraestrutura e tantos outros são tratados de forma superficial, pois os políticos insistem em levá-los para o campo restrito de suas ideologias.
Uma parcela significativa da classe política apresenta o chamado “complexo de vira-lata”, defendendo interesses estrangeiros, intervenções militares e ideias completamente fora de contexto para quem deseja uma nação forte, soberana e próspera. Por outro lado, há os autodenominados esquerdistas que, muitas vezes, não conseguem tirar o país do atraso, insistindo em conceitos ultrapassados que já não fazem sentido para a maioria da sociedade, exceto para aqueles que vivem do radicalismo ideológico.
Dessa forma, continuam sendo defendidas ideias antipopulares e ultrapassadas, o que gera atraso e confusão nos debates que deveriam ser sérios e produtivos. É triste, mas é a realidade.
A complexidade dessa situação não se esgota em poucas colocações. São assuntos que precisam ser debatidos, refletidos e “ruminados” diariamente, em todos os espaços da sociedade. Nós somos parte de tudo isso. Somos responsáveis diretos pelo que nos acontece. Permanecer indiferente é permitir que outros decidam por nós, sem que busquemos conhecimento ou ação — e isso nos torna cúmplices.
É necessário um choque de realidade. Muitas vezes parece que estamos anestesiados, como se tudo o que acontece fosse normal. No entanto, não é.
Portanto, precisamos fazer parte ativa do processo histórico da vida. Não podemos permanecer apenas na plateia, como meros espectadores. É preciso subir ao palco da existência, participar da apresentação, ir aos bastidores, retirar as máscaras dos atores e compreender a realidade em sua totalidade. Só assim teremos condições de intervir conscientemente nos rumos do nosso próprio empreendimento social, enquanto participantes de uma sociedade e enquanto cidadãos verdadeiramente conscientes.
Por Valdeni Cruz
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