Tragédias, Bem Comum, Solidariedade


Artigo do Cônego Manuel Manangão - Vigário Episcopal para a Caridade Social

Arquidiocese do Rio de Janeiro


Viva Rio
Voluntários ajudam vítimas das chuvas no Rio de Janeiro
Começamos mais um ano marcados pelas notícias de uma série de tragédias ocasionadas pelos temporais do mês de janeiro. Desde que eu me entendo por gente que acompanho a seqüência de tragédias que atingem as pessoas em todas as cidades e particularmente na cidade do Rio de Janeiro. Certamente que o ano de 1966 ainda está marcado na memória dos cariocas que tem mais de 60 anos de idade.

Assim entra ano e sai ano, se o tempo é de chuvas mais intensas, podemos contar com o anúncio de alguma tragédia. O que sempre me chama a atenção e espanta é o fato de que, em cada momento desses, aqueles que têm o dever constitucional de zelar pelo bem estar dos cidadãos e prover o necessário para que se minimizem as situações de calamidade, vêm a público para falar dos muitos projetos e liberação de recursos. Passado o tempo, e as tragédias meio esquecidas na correria da vida urbana, constatamos diante de novas tragédias que tudo o que tinha sido dito ficou também no esquecimento. Isto é o que nos chega das muitas notícias anunciadas pela imprensa.

Por outro lado, diante da dor e sofrimento de tantas famílias que perdem seus entes queridos e também seus pertences, que têm sua vida de uma hora para outra completamente desorganizada, sem que se saiba o que fazer, nasce uma onda de esperança e conforto de tantos que se colocam solidariamente voluntários com seu tempo e trabalho, e de outros tantos que com suas doações tentam ajudar nos momentos de mais precariedade para que estas pessoas tenham um pouquinho de conforto em meio a tanta dor.

Diante de tudo isto, somos levados a rever o que nos dizem os documentos do Magistério da Igreja, no que diz respeito ao bem comum: “As exigências do bem comum derivam das condições sociais de cada época e estão estreitamente conexas com o respeito e com a promoção integral da pessoa e dos seus direitos fundamentais. Essas exigências referem-se, antes de mais, ao empenho pela paz, à organização dos poderes do Estado, a uma sólida ordem jurídica, à salvaguarda do ambiente, à prestação dos serviços essenciais às pessoas, alguns dos quais são, ao mesmo tempo, direitos do homem: alimentação, moradia, trabalho, educação e acesso à cultura, saúde, transportes, livre circulação das informações e tutela da liberdade religiosa. O bem comum correspondente às mais elevadas inclinações do homem, mas é um bem árduo de alcançar, porque exige a capacidade e a busca constante do bem de outrem como se fosse próprio. A responsabilidade de perseguir o bem comum compete, não só às pessoas consideradas individualmente, mas também ao Estado, pois que o bem comum é a razão de ser da autoridade política. Na verdade, o Estado deve garantir coesão, unidade e organização à sociedade civil da qual é expressão (cf. Compendio Doutrina Social da Igreja 166s).

Assim, agradecemos a Deus por tantas atitudes de solidariedade vividas nestes tempos de dor para tantas famílias. Conclamamos a todos para que em sua generosidade possam continuar a sua ação solidária com as vítimas. E pedimos ao Senhor da vida que ilumine o coração e a mente daqueles que tem a responsabilidade de governo para que encontrem formas de ação que atuem de forma mais eficaz e preventivamente.

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